
E eu estava numa estrada, comprida mesmo, estreita e deserta - a não ser por um barracão na margem esquerda. E lá ia um carro azul-desbotado-e-sujo, que eu até agora não sei se era meu ou se apenas ia passando.
Hoje choveu. E quem lê assim pensa que eu sou maluca - ou melhor: confirma suas suspeitas. Afinal, paulistas de todos os cantos anseiam por uma chuva assim. E aqui eu explico: choveu. Mas choveu só pra mim. Na minha mente. Eu senti. Eu tenho a imagem clara. Por mais detalhes que eu dê, ninguém a imaginará como eu. Ainda que eu desenhasse aqui, cada um ia ver de uma forma.
É por isso que às vezes eu pareço distante. É por isso que as pessoas vivem me chamando de volta do Mundo da Lua. Porque é tão pessoal e tão aconchegante estar num mundo só seu que, convenhamos, não dá muita vontade de voltar.
Só não quero dar a entender que não curto o "mundo real". Nada a ver. Adoro a minha vida, e digo isso a quem perguntar. O negócio é que há coisas que queremos (estou generalizando, mas tenho sérias suspeitas de que seja apenas eu) e que não podemos ter. Pelo menos não na hora; às vezes, nunca. E quando estou mentalmente longe, eu as tenho todas comigo. Estou onde sonho estar, com quem gosto de ficar - estas geralmente são pessoas que já me rodeiam, ou raramente alguns ídolozinhos meus -, por quanto tempo eu quiser. Só tento tomar cuidado para não fazer isso nas horas ou lugares errados. E, lá, tudo sempre corre da maneira que eu desejo.
Mas, botando os pés no chão, sei que não pode ser assim. Se tudo sai como queremos, algumas coisas podem dar errado. Acredito que algumas das coisas que "dão errado" abrem as portas para que "coisas certas" entrem. O jeito é entender isso. Como dizem, é fácil falar, e eu sei muito bem o quão difícil é tentar conter a frustração. Mas eu, pelo menos, não o faço. Não muda nada. Frustro-me, esmurro mentalmente a porta (só mentalmente. De verdade, sem chance), choro, como qualquer pessoa faz. Disso eu tenho certeza. Mas sempre tendo em mente que pode ter sido melhor assim. Muitas vezes penso que eu não merecia certa coisa (o que é um erro), e por isso não aconteceu. Ao menos consola. E aí eu estudo/faço os servicinhos domésticos com o máximo de empenho que posso, porque sei que há 'alguém' além de mim que sabe exatamente o que venho fazendo.
Repetindo, estou muito satisfeita com minha vida no momento (e quem sou eu para não estar). É que momentos como esse às vezes simplesmente acontecem. Pode ser uma coisinha insignificante, mas que deixa a gente um pouquinho assim. Nada de assustador. É isso remete ao post "when I loose myself, I think of you". Esse blog é cíclico. Talvez monótono. Melhor parar por aqui.
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